Tarde de sábado. Depois da praia, já feita a digestão, antes do mergulho madrugada adentro…
O escritor, professor, dj, músico e jornalista – e exatamente por isso, um pouco de nada disso – DODÔ AZEVEDO leva uma pilha de LPs de jazz e outra pilha de exemplares do seu último livro para o Sebo Baratos da Ribeiro…
… o livreiro Ácaro rearruma o salão, coloca umas cadeiras de praia, avisa a rapaziada do Poluma que deve sair mais frango à passarinho do que o usual, e deixa uma vitrola pronta pra rolar um be-bop de fundo, enquanto o pessoal proseia.
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À PROCURA DO ESPÍRITO DE KEROUAC MEIO SÉCULO DEPOIS…http://
O livro “Fé na Estrada” conta a história de dois jovens brasileiros, Laura Guedes e Dodô, ele escritor, ela fotógrafa, que resolvem refazer a rota que o escritor americano Jack Kerouac percorreu nos anos 50 para para escrever o clássico livro On The Road – Pé na Estrada.
Sem planejamento e com nenhuma experiência em viagens, Edu, um cara expansivo e irresponsável, cai na estrada para resolver o seu caso de amor e ódio pela cultura americana. O atentado de 11 de setembro de 2001 deu início a um período de paranoia semelhante ao da Guerra Fria dos anos 50, quando Jack Kerouac escreveu Pé na Estrada. Introspectiva e mau-humorada, Laura é uma brasileira que há anos mora na fria Boston. Dada a crises de depressão que todo o inverno a levam ao hospital e convidada a documentar a viagem com fotos, Mariana cai na estrada a contragosto.
A viagem, da costa leste a costa oeste dos EUA, começa por Nova Iorque. Lá começam as aventuras do casal. Eles ficam sem dinheiro; são o tempo inteiro confundidos com estrangeiros de nacionalidades exóticas; alugam um carro cheio de personalidade; sem saber, atravessam um tornado na estrada; conhecem desertos secos; acampam desajeitadamente; se hospedam com os índios Navajos no Arizona; tomam o alucinógeno chá de Peiote; experimentam o isolamento da estrada; ganham e gastam uma fortuna em Las Vegas; interrompem a viagem por achar que aconteceu um ataque nuclear na costa oeste; chegam a Los Angeles; chegam ao Oceano Pacífico; percorrem a rota do surf pela Califórnia passando por vinhedos exuberantes no caminho; e, finalmente, chegam a São Francisco.
Durante a viagem, além de Dodô e Laura brigarem e fazerem as pazes o tempo todo, há, na estrada, um sem número de encontros com personagens: uma freira que se revolta contra o catecismo ao ouvir trechos em inglês de Guimarães Rosa; uma jovem alemã anarquista; um jogador de cartas; uma bailarina russa que mora em seu carro; um rico judeu nova-iorquino que, como hobby, canta músicas negras no metrô; músicos de bandas de rock alternativo; famílias que percorrem a estrada em Motorhomes; um casal de filósofos trapaceiros; um sinistro viúvo doutor em Física Quântica; um Xamã Navajo; uma professora de sexo tântrico; um policial que os detêm por suspeita de terrorismo; um mestre zen surfistas; uma comunidade Navajo. Sejam românticos ou pragmáticos, Edu e Laura travam com estes personagens relações invariavelmente intensas.
Dodô conclui que o espírito Beat e contracultural sobrevive na América, porém transmutado em um outro movimento, Neo-beat, Neo-contracultural, com objetivos diversos, mas que continua a propor uma maneira alternativa de interpretar o mundo. Por fim, ele confirma a tese de que o melhor observador da cultura americana é, sempre foi, o estrangeiro.
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MAS E AÍ? ESSE TAL DE “PÉ NA ESTRADA”?
Como o gemido lancinante e dolorido de “Uivo”, de Allen Ginsberg, o brado irreverente e drogado de “Almoço Nu”, de William Burroughs, ou a lírica emocionada e emocionante de Lawrence Ferlinghetti, “On the Road” escancarou ao mundo o lado sombrio do sonho americano. A partir da trip de dois jovens – Sal Paradise e Dean Moriarty –, de Paterson, New Jersey, até a costa oeste dos Estados Unidos, atravessando literalmente o país inteiro a partir da lendária Rota 66, Jack Kerouac inaugurou uma nova forma de narrar.
Em abril de 1951, entorpecido por benzedrina e café, inspirado pelo jazz, Kerouac escreveu em três semanas a primeira versão do que viria a ser “On the Road”. Uma prosa espontânea, como ele mesmo chamava: uma técnica parecida com a do fluxo de consciência. Mas o manuscrito foi rejeitado por diversos editores e o livro foi publicado somente em 1957, após alterações exigidas pelos editores.
A obra-prima de Kerouac foi escrita fundindo ação, emoção, sonho, reflexão e ambiente. Nesta nova literatura, o autor procurou captar a sonoridade das ruas, das planícies e das estradas americanas para criar um livro que transformaria milhares de cabeças, influenciando definitivamente todos os movimentos de vanguarda, do be bop ao rock, o pop, os hippies, o movimento punk e tudo o mais que sacudiu a arte e o comportamento da juventude na segunda metade do século XX.
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Um par de entrevistas para a televisão:
http://www.youtube.com/
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E para fechar, que tal um raro registro feito em 1959 do Kerouac, Allen Ginsberg, Lucian Carr e alguns amigos simplesmente caminhando por New York?
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“UNS SÃO FILHOS DA PUTA, OUTROS NÃO, E ISSO É TUDO.” JACK KEROUAC


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